terça-feira, 13 de novembro de 2012

Uma possibilidade: o cômico

Vê-se sempre esse medo vencido sob a forma do monstruoso cômico, dos símbolos do poder e da violência virados do avesso, nas imagens cômicas da morte, nos suplícios jocosos. Tudo que era temível, torna-se cômico. [...] Brinca-se com o que é temível, faz-se pouco dele: o terrível transforma-se num ‘alegre espantalho’.[...] O inferno do carnaval é a terra que devora e procria; ele se transforma frequentemente em cornucópia, e o espantelho – a morte – é uma mulher grávida; as diversas deformidades: todos esses ventres inchados, narizes desmesurados, corcundas, etc., são índices de prenhez ou de virilidade. A vitória sobre a morte não é absolutamente a sua eliminação abstrata, é ao mesmo tempo o seu destronamento, sua renovação, sua transformação em alegria: o ‘inferno’ explodiu e converteu-se numa cornucópia”. (BAKHTIN)

(Postado por Julio no facebook, dia 13 de novmebro, terça)

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