sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Formigas

Uma mansâo. Uma mulher amargurada e uma empregada. A mulher quer tudo limpo, extremamente limpo, nem um fio do cabelo fora do lugar, nenhum fio de cabelo no sabonete, nada que fuja do arrumado. A empregada esfrega milhares de vezes mas as formigas sempre voltam.
No quintal, uma piscina vazia.
As formigas saem por um buraco e traçam trajetórias sobre os azulejos. As formigas invadem a casa, é uma peste, uma maldição milenar. Quando a mulher amargurada dorme, as formigas andam sobre sua pele. Ela se coça toda, acorda toda vermelha, não sabe porquê. Na certa a empregada sarnenta, suja, a empregada parda sarnenta suja com costeletas e um pouco de barba e cheiro de roupa suja. Uma infecção. A mulher dá sabonete para a empregada se limpar. Um dia inteiro passando sabonete no corpo pra sair esta coisa nojenta que você tem no teu corpo.
Formigas nos sabonetes.
Formigas em todos os lugares.
No quintal, perto da piscina, paredes com tijolos aparentes

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