terça-feira, 13 de novembro de 2012

ônibus

Ônibus

Gostaria de falar do medo do que é inofensivo. Os ratos daquela história. Medo de que os ratos desabassem sobre sua cabeça... O medo das UPPs, não pelo ameaça que elas trazem aos movimentos de uma comunidade, mas medo de que a favela desça para saquear a paz da Praça Nossa Senhora da Paz. Medo do cheirinho - de macaco - se misturando ao perfume da butique de Leblon. Pois que se foda. Quem tem fome tem pressa, já dizia Nosso Senhor.
Sexta-feira refeltimos sobre como a novela das 8 trabalha arquetipicamente a ocupação das favelas no Rio. O pilicial bonitão e narigudo casa com a menina da favela mãe solteira e põe sua vida em ordem. Ai me ocupa. Ai pacifica minha xoxota. Dá-lhe estritura e segurança. Me torna sã. Saneamento. Bandeira do Governo do Estado cravada no cu. Um astronauta ...
chega à xota, da minha mãe, talvez, paraíba masculina mulher macho sim senhor, Macabea sem cabaço.

- Medo de amar.
- Medo de sair da própria casa próprio corpo.
- Medo de tomar alguma decisão.
- Medo de ter voz no próprio discurso (A ordem do discurso, Foucault)(?)
- Medo de tocar
- Medo de decepcionar

"Um livro de poesia na gaveta não adianta nada
Lugar de poesia na calçada
Lugar de quadro é na exposição
Lugar de música é no rádio

Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba enredo é no asfalto
Lugar de samba enredo é no asfalto

Aonde vai o pé arrasta o salto,
Lugar de samba enredo é no asfalto
Aonde a pé vai se gasta a sola
Lugar de samba enredo é na escola" (Sergio Sampaio, Cada lugar na sua coisa)

Sala Vianinha

Beber bastante antes de dormir. Mas o álcool já não faz efeito. Preciso ir ao médico amanhã.
Não conseguir comer sem os talheres e os copos. Um copo para cada bebida.
"lugar de corpo é no corpo / lugar de cabeça é na cabeça"
Preciso relaxar.
Então vou deixar meu corpo cair da maneira mas aleatória possível. Preciso me desacostumar preciso desacostumar meu corpo.

Em casa

Todo o ritual para cehgar ao natural. Toda a burocracia íntima para alcançar o natural.

Para algo que não sei o que é:
Exigir um minuto de silêncio por sua tristeza.
(para a audiência) "- Estou de luto por minha vida. Sou infeliz".
Sorria. Só você sabe que é Tchékhov.

(Por Luquinhas)

Micro roteiros

Micro Roteiros

Para a sala de estar
Ela entra pela porta da frente. Senta-se no sofá. Ele entra pela porta da frente. Senta-se no sofá. Ele tira a blusa. Ela tira o sapato. Ele tira o sapato. Ela tira a blusa. Ele deita no colo dela. Ela deita sobre seu corpo deitado. Eles fazem poesias concretas.
*
Um passa do quarto ao banheiro.
Um vai da varanda a cozinha.
Um chega da rua e deixa suas coisas.
Um volta da cozinha comendo.
Um sai do banheiro para o quarto.
Um vai para a varanda.
Um volta.
Um vai.
Um fica.
Um sai.
*
Duas pessoas assistem um filme no sofá. Luz apagada. Uma delas está encostada com a cabeça no ombro da outra. Eles comem algumas coisas (com snacks ou pipoca). A pessoa que está sentada com a outra no ombro adormece. É noite.
*
Começar com uma conversa trivial recheada de gírias.
Depois servir vinho ou refrigerante.
Ignorar a criança com síndrome do down que está sentada no sofá.
Iniciar conversas paralelas, provocando, assim, aumento do volume das vozes.
Lembrar de uma música antiga, da época da infância, e cantarolar.
Puxar assunto polêmico com a matriarca amargurada.
Cantar parabéns.
Dispersar.
Para permanecer parado
Primeiro encontramos uma posição bonita porém desconfortável. Depois nos certificamos de que estamos com boa aparência. Depois acendemos um cigarro. E ficamos parados.
*
A, B e C.
Andam em círculos.
Param.
Andam.
Param.
Choram.
Reclamam.
Gritam.
Param.
*
Uma pessoa da comida aos pombos em uma praça.
*
Todo o dia, assim que abrir os olhos, dizer "ai de mim"
Abrir os olhos e se imaginar no fundo de um poço com uma coroa na cabeça.
Imaginar que todos da cidade esperam você sair de casa para que eles possam sair também.
Fechar os olhos e dizer "ai de mim"
Para um espaço fechado
Ele caminha lentamente pelo espaço olhando tudo o que há de objetos a sua volta. Ele deve pegar todos os objetos ou tocar neles, mas não deve demorar muito em nenhum. Eles faz isso numa ação constante em ritmo e velocidade e nao demonstra nenhuma emoção. O outro entra no espaço. Pergunta: Onde estão meus giz de cera? Ele responde: Acabei de passar por eles.
*
Um inspeciona se está tudo em ordem.
Um executa o que o primeiro manda.
O outro olha pela janela. Comenta.
*
Três pessoas se olham, cada uma sentada em um canto do espaço, no chão.
Elas não se olham.
Um atravessa na diagonal, até o outro extremo onde está outra pessoa e cochicha algo.
A pessoa que está sozinha se encolhe e chora.
As outras duas riem dela.
*
Três pessoas. Uma pinta as paredes cantarolando Janis Joplin. A outra passa um café ouvindo a música da Janis Joplin. A terceira observa as coxas aparentes da pessoa que pinta as paredes e tenta esconder sua ereção. Quando o café está pronto, todos bebem juntos e estranham o cheiro forte da tinta fresca.
Para controlar a ansiedade
1. Coloque óculos escuros. Fique imóvel por 10 segundos.
Ou (se maior nível de ansiedade)
2. Se jogue com toda a força-ansiedade contra a parede. Quando cansado, escorra chorando. Coloque óculos escuros e fique imóvel por 10 segundos.
Ou (menor nível de ansiedade)
3. Saia de casa. Volte para casa reiniciando o dia.
*
A chupa o dedo de B.
B chupa o dedo de C.
C chupa o dedo de A.
Não adianta. Trocam.
Não adianta. Trocam.
Não adianta. Trocam.
Não adianta. Trocam.
Braço. Pé.
*
Uma pessoa pega um alimento na geladeira e come.
Pega outro alimento.
Acende um cigarro.
Olha para um livro. Faz que vai pegá-lo mas não termina a ação.
Acende outro cigarro olhando para o nada.
Começa a tentar chorar, apertando a mão contra o peito.
Conversa sozinha sobre o que tem que fazer no dia seguinte.
*
Respirar prestando atenção na respiração. Contar em voz alta o número de inspirações e expirações.
Tomar um banho gelado.
Alongar o pescoço.
Dançar ao som de uma música leve.
Repetir para si mesmo: "Tá tudo bem" ou "Foda-se o mundo".
Cantar imitando a Elis Regina enquanto lava a louça.
*
Repetir: "ele (ou ela) é quem tem que tomar uma iniciativa, você não acha?"
Esconder os movimentos das mãos nos bolsos da calça ou do terno e achar isso muito sexy.
Para antes de dormir
Tirar toda a roupa. Colocar meias. Retirar toda a roupa de cama e amontoá-la no chão atrás da porta. Pular três vezes sobre a cama, no último pulo deixar o corpo cair sobre ela. Na posição que o corpo assumir na queda: dormir.
*
Um bebe vinho. Escova o dente. Bebe. Tenta ler. Bebe. Dorme.
Outro chega. Beija. Deita.
*
Uma pessoa tira a roupa e coloca outra.
Ela está muito cansada.
Apaga a luz e liga o abajur no escuro.
Pega um livro que está sobre a mesa de cabeceira do lado da cama.
Folheia o livro sem ler e o recoloca na mesa.
Apaga o abajur e vira para o lado fechando os olhos.
Acende o abajur e pega o livro novamente.
Lê uma página e adormece aos poucos.
*
Falar para si mesmo "Preciso dormir".
Tirar a roupa.
Pensar naquela filha da puta que não para de se fazer de vítima.
Falar para si mesmo "Preciso dormir".
Bater uma punheta.
Escrever as tarefas do dia.
Fechar os olhos.
Pensar "Preciso dormir".
Para uma refeição
2 parados do lado da mesa.
1 coloca os pratos, talheres e copos.
3 parados ao lado da mesa.
3 sentados ao redor da mesa.
Sobre uma cadeira.
3 limpam seus pratos com as mãos e com suas próprias roupas.
1 conta uma história enquanto outro penteia o cabelo com um garfo.
Ao fim da história todos riem.
*
Uma mesa do tamanho da sala. De um lado A, do outro B. C leva e traz as comidas, que A e B pedem.
A e B conversam. C leva e traz os assuntos.
*
Quatro pessoas dispostas em uma mesa retangular, uma em cada borda.
Uma das que estão na borda fala mal do seu dia.
O que está na outra borda sorri e intervém com perguntas.
Uma das que estão nas laterais fala bem sobre o seu dia.
A que estava reclamando pergunta-lhe se não devia estar fazendo outra coisa "em vez daquilo".
Silêncio.
*
Pegar garfo. Pegar faca. Pegar escumadeira. Pegar espátula. Pegar serrote. Pegar martelo. Pegar revólver. Pegar pá.
Sentar na cadeira com tudo isso nas mãos.
Dar um texto melodramático para o vizinho acordar do sono.
Atacar! (Bom apetite)
Para ter idéias
Primeiro devemos estar frente a uma mesa, sentado em uma cadeira, usando óculos. Precisamos segurar uma caneta e ter um bloco de folhas na frente. Nos devemos curvar sobre as folhas, com a caneta e sustentar isso por 2 ou 3 segundos. Depois deixamos a caneta, acendemos um cigarro e voltamos a atenção as folhas. Inclinamos um pouco para trás, pegamos a caneta e esperamos, sérios. A idéia chegará.
*
Bater a cabeça na parede/ Falar "Isso já fizeram"/ Bater cabeça/ Falar/ Bater...
*
Três pessoas em silêncio, cada uma com um caderno olham para o nada.
Uma acende o cigarro, enquanto a outra busca uma meleca com o indicador.
A terceira escreve algo. Pára. Pede um trago do cigarro. Os dois olham para o nada.
Os três se olham e riem.
*
Observar as pequenas coisas do cotidiano e pensar como colocá-las em cena somente com a voz.
Viajar sempre que possível.
Marcar um café com um amigo que você não vê há tempos.
Ler jornal.
Para se relacionar bem
Para se relacionar bem, você deve saber expressar tudo o que sente. Absolutamente tudo. Dessa forma podemos colocar nos outros a responsabilidade sobre ter e criar uma boa relação conosco. Diga tudo o que sente, o que quer e o que não gosta ao outro, e espere uma resposta. Não desista de ter resposta. Se isso se virar contra você, chore e diga que não sabe o que fazer.
*
Um fala.
O outro escuta.
Ele fala.
O outro escuta.
Ele fala.
O outro escuta.
Ele fala.
O outro escuta. (...)
Silêncio.
Da capo.
*
Duas pessoas conversam com algo que lhes cobre o rosto.
Quando uma delas fala, a outra ri de uma meneira mecânica, forçada. Isso se repete dos dois lados até que mecanicamente elas se tocam.
Ambas devem sempre ou se elogiar ou falar de si mesmo de maneira positiva.
*
Falar num timbre que denota confiança e doçura, rigidez e humanidade. Fazer piadas entre a irreverência politizada e o humor pastelão. Sempre que se despedir do outro, sorrir sinceramente, artisticamente, cinematograficamente, teatralmente, visualmente, divinamente.
Para sentir-se relaxado
Acenda um cigarro.
Imagine que alguém lhe faz perguntas e dê uma entrevista. Fale sobre família e problemas sociais. Olhe para câmeras imaginárias. O povo te ama.
Para matar formigas
Encha um copo dágua.
Despeje sobre elas.
Se divirta:
a) como se elas estivessem num tobogam.
b) como se você estivesse num tobogam.
Sinta pena e salve uma delas. Se emocione com a beleza da vida.

Uma possibilidade: o cômico

Vê-se sempre esse medo vencido sob a forma do monstruoso cômico, dos símbolos do poder e da violência virados do avesso, nas imagens cômicas da morte, nos suplícios jocosos. Tudo que era temível, torna-se cômico. [...] Brinca-se com o que é temível, faz-se pouco dele: o terrível transforma-se num ‘alegre espantalho’.[...] O inferno do carnaval é a terra que devora e procria; ele se transforma frequentemente em cornucópia, e o espantelho – a morte – é uma mulher grávida; as diversas deformidades: todos esses ventres inchados, narizes desmesurados, corcundas, etc., são índices de prenhez ou de virilidade. A vitória sobre a morte não é absolutamente a sua eliminação abstrata, é ao mesmo tempo o seu destronamento, sua renovação, sua transformação em alegria: o ‘inferno’ explodiu e converteu-se numa cornucópia”. (BAKHTIN)

(Postado por Julio no facebook, dia 13 de novmebro, terça)

Por Isadora

 
eu parto da descrença de opostos, é como se desta forma, lidássemos com o maniqueísmo.
cada vez mais observo, que os dispositivos que me atingem - no dia-a-dia, numa peça ou qualquer manifestação artística -, são as amenidades.
no homem inexpressivo e inatingível sensivelmente.
em situações banais que alcance o esgotamento.
o que toca em melancolia, mais que em outros filmes catastróficos, não é o fim do mundo; mas sim a conjuntura de um família, isolada de qualquer movimento externo que passa por esta situação à moda dela.
...

eu procurava pelo bill brown, qualquer fragmento escrito ou vídeo, mas não encontrei de forma alguma.
ele faz um perfomance, diante de uma câmera de segurança, para seu unico espectador: o segurança.

http://www.francisalys.com/public/hielo.html

alys; ele ficou famoso por entrar em tornados. mas neste, o título diz tudo e com certeza surgiu antes do ato.
Ver mais

PROCESSO - Para pensar

Queridos Nina Balbi, Júlio Castro, Tomás Braune, Isadhora Müller e Lucas Nascimento, vamos trabalhar sobre este POST aqui. Vamos responder a estas perguntas (na cebeça e na cena) até dezembro, quando no dia 01, fechamos as respostas. =D
Ps. Aqui eu dou respostas que deverão ser pensadas, recheadas e reescritas.

1) QUAL A QUESTÃO CENTRAL?

...
Obsessão pela ordem e padronização diante do medo do caos, em um sociedade na qual a diferença é vista como ameaça.
O MESMO X O DIFERENTE
a certeza X a dúvida
a rigidez x a flexibilidade
a paralisia x o movimento
a ordem x o caos

2) QUAL O MOVIMENTO CENTRAL?

Repetir e repassar para manter tudo em seu devido lugar.

3) QUAL A SITUAÇÃO?

Três personagens em um espaço isolado. Ameaça externa e interna. Medo. Regras, Repassam sempre comoas coisas devem ser. Um cavalo que dorme no quartoao lado e que deve permanecer dormindo.
Rio de Janeiro, 2030

4) QUAIS OS MOMENTOS? (e jogos para brincar)

- Catalogação do Corpo e Objetos: repassar as funções. Intervenção sobre o corp. Demonstração.
- Contar histórias, fetiche pela desordem e o lugar da ficção.
- Perguntas e Respostas: regras e certezas.
- Gravar vídeo e assistir (?)
- O Outro - Isadhora

5) O QUE QUEREMOS CONSTRUIR? // COMO?

- Universo em Estado // Rasa
- Universo em Regras Gerais e Momentos // Sistemas, Jogos, Situações e Microroteiros para algo
- Linha singular para cada um // Rasa, Cotidiano e Composição
Universo em Ficção e Material de Cena // Pesquisa Urbana (desenvoler!)
 
 
(Postado por Pedro no facebook dia 10 de novembro, sábado)
 
 

café e bituca de cigarro

Eles começam bebendo cafe juntos, uma mesa segura de boas relações. Um deles percebe que no café tem alguma coisa, no fundo da xícara. Uma guimba de cigarro. (ou uma formiga!,voc sempre vem com as formigas, essas filhas da puta. Ignoremos as formigas. Pensar em outra coisa, ocupar o tempo, quem sabe elas não param de passar. Filhas da puta. Acredita que dia desses eu estava dormindo e uma me picou...Quieto!). Ou alguma coisa dura ou gosmenta ou brilhante que não é café. Mas tudo bem:pode ser engraçado bituca de cigarro no fundo de uma xícara, afnal de contas, os hábitos se misturam, andam juntos, bem juntinhos, tudo harmônico, e tudo-depende- de-tudo-pra-funcionar-não-é-mesmo-? (silêncio) Não é mesmo? (silêncio) NÃO É MESMO?

Terapia da Nina

Acabei de sair de um encontro terapêutico de grupo. Foi muito bizarro, fiquei com pena de nós mesmos. Tenho que escrever detalhadamente sobre o que aconteceu, mas basicamente, era um espaço destinado à você sentir. sentir coisas. daí eles guiavam. Primeiro você sente raiva. 'caminhe expressando a raiva que voce sente." e todos caminhavam fazendo cara de cahorros ferozes uns pros outros. "agora grite sobre os motivos que te fazem sentir raiva" e todos gritavam uns pros outros. algumas pessoas choravam.
depois voce fazia a "catarse", que é basicamente fazer qualquer coisa para liberar energia. e todos começaram a chorar, com muita intensidade. tipo mesmo, todos. eu fechei os olhos e fiquei ouvindo todo mundo chorar. depois voce ri. aí eles soltaram nas caixas de som uns sons de riso, tipo de...
programa de auditorio, e todos riam. e riram mesmo, muito.
e depois voce tinha que abraçar as pessoas e dizer "eu quero mais da minha vida. eu te amo." e assim nós fizemos.
todos esses momentos do processo foram entoados por musicas óbvias, de rádio, ou musicas eletrônicas baratas. Imagine!
No final a mulher disse "isso é um Oásis. em nenhum outro lugar voces podem ser voces mesmos". é triste, além de ser uma mentira.
Você tinha que pagar 40,00 reais pra fazer a terapia.

Bem...